Exame de dengue: quando fazer, qual teste pedir e como se preparar

O exame certo depende do dia em que a febre começou. Pedir o teste errado na hora errada é o que faz um resultado dar negativo mesmo com dengue.

Profissional de laboratório segurando um frasco identificado para pesquisa de vírus da dengue

Quase toda semana alguém chega à recepção com febre há dois dias e um pedido de sorologia de dengue na mão. O exame existe, é bom, e naquele momento ele não serve. Não porque o laboratório falhou, mas porque o corpo ainda não produziu aquilo que a sorologia procura.

A dengue tem uma linha do tempo. Cada exame enxerga um pedaço dela. Entender essa linha é a diferença entre um resultado que responde e um resultado que confunde.

O vírus primeiro, a resposta do corpo depois

Nos primeiros dias de sintomas, o que circula no sangue é o próprio vírus. Os exames dessa fase procuram o vírus. Passada cerca de uma semana, a quantidade de vírus cai e o que fica é a resposta imune que ele provocou. Os exames dessa fase procuram anticorpos.

Por isso a pergunta que define tudo não é qual exame você quer fazer. É há quantos dias a febre começou.

Do 1º ao 5º dia: NS1

O NS1 detecta uma proteína do vírus da dengue que circula no sangue na fase inicial da infecção. É o exame indicado do primeiro ao quinto dia de sintomas, e perde sensibilidade a partir daí.

No Fleming, o Dengue NS1 não exige jejum, é feito a partir de uma coleta comum de sangue do braço, por ELISA ou imunocromatografia, e o resultado sai em 1 dia útil.

Um ponto que vale saber: NS1 negativo já no limite da janela não descarta dengue com segurança. Se os sintomas continuarem, o médico pode pedir a sorologia alguns dias depois.

Nessa mesma janela existe o RT-PCR, que procura o material genético do vírus. É um exame de referência, usado sobretudo pela vigilância epidemiológica e em situações específicas, não na rotina ambulatorial.

A partir do 6º dia: sorologia IgM e IgG

O IgM é o anticorpo da infecção recente e passa a ser detectável a partir do sexto dia de sintomas. É ele que confirma dengue nessa fase.

O IgG conta outra história. Ele marca contato anterior com o vírus e não serve para diagnosticar a infecção aguda. Em uma primeira infecção costuma aparecer por volta do sétimo dia. Em quem já teve dengue antes, sobe mais rápido.

Se a sorologia vier negativa e a suspeita continuar, a orientação é coletar uma segunda amostra cerca de 15 dias depois da primeira.

Outro detalhe que gera confusão: o IgM pode permanecer reagente por até 90 dias. Um IgM positivo, sozinho, nem sempre significa que a dengue é de agora.

No Fleming, Dengue IgM e IgG também não exige jejum, é feito por ELISA e sai em 1 dia útil.

O hemograma acompanha, não confirma

O hemograma não diz se você tem dengue. Ele mostra como o corpo está reagindo, e é isso que o torna importante.

Dois achados interessam: o comportamento das plaquetas e o do hematócrito. O aumento progressivo do hematócrito é um sinal de alarme. É por isso que o médico costuma pedir hemogramas seriados, repetidos ao longo dos dias, e não um exame isolado.

A leucopenia, que é a queda dos glóbulos brancos, é um dos critérios clínicos que levantam a suspeita de dengue logo no início.

O hemograma completo não tem jejum obrigatório e sai em 1 dia útil.

Resumo para levar na recepção

  • Febre do 1º ao 5º dia: NS1.
  • Febre a partir do 6º dia: sorologia IgM e IgG.
  • Em qualquer fase, conforme orientação médica: hemograma, repetido ao longo do quadro.
  • Suspeita de outra arbovirose: sorologia para zika e chikungunya.
  • Em todos eles: informe a data em que os sintomas começaram. É essa informação que define o exame correto.

Quando desconfiar de dengue

A suspeita se apoia em febre, em geral de dois a sete dias, somada a pelo menos duas destas manifestações:

  • Dor de cabeça ou dor atrás dos olhos.
  • Dor muscular ou nas articulações.
  • Náuseas ou vômitos.
  • Manchas vermelhas na pele.
  • Petéquias, que são pontinhos vermelhos de sangramento na pele.
  • Queda de glóbulos brancos no hemograma.

Em crianças, febre de dois a sete dias sem causa aparente, em região com transmissão, já basta para investigar.

Sinais de alarme: não espere resultado de exame

A fase mais delicada da dengue não é a da febre alta. É a que vem depois, quando a febre cai, em geral entre o terceiro e o sétimo dia de sintomas. É nesse momento que o quadro pode piorar rápido.

Procure atendimento médico imediatamente se aparecer dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramento de gengiva ou nariz, tontura ao levantar ou desmaio, sonolência ou irritabilidade fora do comum, ou falta de ar. Nessas situações não espere o resultado de exame nenhum.

Como se preparar

Esta é a parte mais simples do texto, porque quase não existe preparo.

  • Nenhum dos exames de dengue exige jejum.
  • Leve o pedido médico e informe na recepção o dia em que a febre começou.
  • Hidrate-se bem antes da coleta. Além de ser a principal recomendação no quadro de dengue, veia hidratada facilita a punção.
  • Informe os medicamentos em uso, principalmente anticoagulantes e anti-inflamatórios.
  • Se já fez exame de dengue nesta mesma febre, leve o resultado anterior. Comparar duas amostras costuma valer mais do que repetir uma.

Vale um aviso: na suspeita de dengue, remédios à base de ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios costumam ser desaconselhados pelo risco de sangramento. Quem decide isso é o médico, nunca a bula lida com pressa.

Dengue não é a única: chikungunya está em alta

Dengue, zika e chikungunya são transmitidas pelo mesmo mosquito e começam parecidas. A diferença mais citada é a dor articular da chikungunya, que tende a ser mais intensa e pode durar semanas ou meses depois que a febre passa.

Em 2026, Goiás registrou 11.311 casos confirmados de chikungunya, aumento de 343% em relação ao mesmo período do ano anterior. A dengue somou 108.673 casos no estado, 17% a mais que em 2025.

Clinicamente as três se confundem. O laboratório separa uma da outra: a sorologia para zika e chikungunya sai em até 3 dias úteis e também não exige jejum. Em gestantes, diferenciar zika importa ainda mais.

O que isso tem a ver com o DF e o Entorno

Esses números não são abstratos para quem mora aqui. Valparaíso de Goiás e Luziânia foram os primeiros municípios goianos a receber o método Wolbachia, em que mosquitos portadores de uma bactéria que bloqueia a transmissão são liberados para se misturar à população local. Anápolis iniciou a implantação em outubro de 2026.

O método reduz a transmissão ao longo do tempo, e não substitui nada do que já se sabe: eliminar água parada, usar repelente e investigar febre com exame.

A vacina não dispensa o exame

Existe vacinação contra a dengue no Brasil, com faixas etárias e grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde. Essas regras mudaram ao longo de 2026, então o lugar certo para confirmar o que vale hoje é o posto de saúde do seu município.

O ponto que interessa aqui é outro: pessoa vacinada também pega dengue. A vacina reduz risco, principalmente de formas graves, e não elimina a possibilidade de infecção. Febre com suspeita continua pedindo investigação, vacinado ou não.

Por que o lugar da coleta importa

Exame de dengue é sensível ao tempo, e tempo aqui também quer dizer cuidado com a amostra. Ela precisa ser identificada corretamente, conservada na temperatura adequada e processada dentro do prazo. Um tubo bem coletado e mal conservado vira um resultado que ninguém pode usar.

É por isso que a recepção pergunta a data de início dos sintomas antes de qualquer outra coisa, e é por isso que o laudo sai com a metodologia descrita. O médico precisa saber por qual caminho aquele resultado chegou até ele.

Se você está com febre agora, o passo mais útil é anotar o dia em que ela começou e levar essa informação ao atendimento. O resto o laboratório resolve.

Perguntas frequentes

Não necessariamente. Se o exame foi feito depois do quinto dia de sintomas, a chance de um resultado falsamente negativo aumenta bastante, porque o NS1 perde sensibilidade nessa fase. Com sintomas persistentes, converse com o médico sobre investigar de novo com a sorologia, a partir do sexto dia.

Não. Nem o NS1, nem a sorologia IgM e IgG, nem o hemograma exigem jejum. Se o mesmo pedido médico trouxer outros exames, como glicemia ou colesterol, o jejum pode ser necessário por causa deles. Na dúvida, pergunte na recepção antes da coleta.

O IgG indica contato anterior com o vírus, não infecção atual, e pode continuar reagente anos depois de uma dengue antiga. Quem aponta infecção recente é o IgM, e mesmo ele pode permanecer positivo por até 90 dias. A leitura correta junta exame, sintomas e data de início, e essa leitura é do médico.

Sim. O Fleming faz coleta domiciliar, o que ajuda bastante quando a pessoa está com febre, dor no corpo e pouca disposição para sair. O agendamento é feito pelo WhatsApp da central, e a disponibilidade para o seu endereço é confirmada nesse momento.

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Nunca inicie, altere ou suspenda tratamentos por conta própria.